Mitos e Verdades Sobre o Câncer

Embora a ciência tenha avançado nos últimos anos, a medicina conquistando muitas vitórias sobre o câncer, levando inclusive inúmeras pessoas à total cura, ainda existem pessoas que acreditam em tratamento alternativos, em busca de um milagre, que a ciência não recomenda.

Ainda que a pesquisa tenha alcançado um considerável avanço em prol da cura do câncer, grande parte da sociedade, quando se vê diante desta doença, ao invés de procurar o médico, vai em busca de soluções milagrosas e de alternativas que nem sempre o resultado é o que a medicina oferece.

O estigma que o câncer carrega só é comparado ao da AIDS. No início da década de 50, quando foi divulgado amplamente pela imprensa internacional, devido ao fato de que foi diagnosticado em um filho de um famoso jogador de beisebol norte-americano, a mídia de um enorme destaque ao caso, o câncer causou um tremendo rebuliço. Até então pouco se falava desta patologia. O desconhecimento por parte da ciência, pesquisa, médicos era enorme, imagine então a população em geral.

Naquela época, foi realizado o primeiro tratamento quimioterápico, sendo usada a mostarda nitrogenada. Desde então, a ciência e a medicina avançaram de forma brutal, alcançando conquistas fantásticas, conseguiram diagnosticas, tratar e curar centenas de milhares de pessoas em todo o mundo, além de desenvolverem medicamentos, tratamentos e atingir um patamar fabuloso em relação a outras doenças com mais tempo de descoberta.

Desde o surgimento, no entanto, o câncer foi considerado o maior desafio para a ciência e para os médicos. A indústria farmacêutica tem gasto milhões de dólares em pesquisa, mas ainda tem que caminhar muito para atingir o grau de cura desejado. “Apesar das novas drogas, dos resultados que melhoram sensivelmente a cada ano e da pesquisa básica na tentativa de saber qual é a causa do câncer. Na minha opinião, é uma doença que vai continuar século adentro, porque é molecular”, afirma Dr. José Marcus Rotta.

A ferocidade com que ataca o ser humano, o câncer é considerado uma doença democrática, uma vez que não escolhe raça, nível socioeconômico, religião nem nível cultural. O câncer ainda assusta não somente as pessoas e os profissionais que atuam nesta área da medicina. O que não se tinha conhecimento, porém, era que esta doença atacasse também as crianças, acreditava-se até que somente adultos eram atingidos pelo câncer.

Entretanto, apesar dos prognósticos favoráveis que se tem conhecimento com os constantes avanços da ciência, os médicos enfrentam outro inimigo, que convive frequentemente entre os pacientes e familiares envolvidos com esta doença. É a sistemática busca de soluções imediatas, de curas milagrosas e a tentativa de se afastar do problema, após o diagnóstico do câncer, como num passe de mágica.

O tratamento alternativo

A procura por resultados imediatistas decorre, certamente, pelo desespero em que a família se encontra, quando se tem conhecimento do diagnóstico e, principalmente, quando são as crianças atingidas por esta doença. O choque está no fato de os familiares ligam o diagnóstico do câncer à morte. As pessoas, independentemente do grau de instrução e conhecimento, quando se deparam com esta patologia entra em pânico e vão em busca de cura através de todo tipo de “tratamento” que atenda a sua necessidade momentânea. Ou seja, se submetem a curandeirismo, energização de cristal, pirâmide, injeção japonesa, que na verdade é fabricada no Brasil, o consumo de urina e uma série de atitudes e procedimentos que ao invés de ajudar a criança, põe em risco a vida do paciente. O desespero leva mais adiante, a frequentar seitas, a tomar chás, levando ao retardamento do tratamento.

Ao se envolver com os chamados “tratamentos alternativos” a pessoa além de por em risco a vida do paciente, envereda por um caminho sem volta, porque o “profeta” vai exigir cada vez mais, dedicação, dinheiro e empenho. A crença em tais tipos de “tratamento” nada mais é do que leviandade do quotidiano que cria sombra de si mesmo, escondendo verdades e mentiras. O ser humano num devaneio busca saídas em labirintos e em falácias, para justificar sua atitude infantil, inócua e inconsequente.

Por que, afinal de contas, o câncer pediátrico é associado a morte? “As modificações do contexto social demoram a atingir a população como um todo. Grande parte da população ainda não sabe, não tem conhecimento à respeito dos avanços que a medicina vem conquistando em relação a cura do câncer. Estes comportamentos geram o que chamamos de preconceitos. O preconceito social é arraigado. Quando se muda um tabu – sexual, moral, dentre outros, a demora para ser assimilado é muito grande , é como se fosse transmitido quase que geneticamente”, descreve Marcus Rotta.

O câncer é uma doença séria com profundas implicações no organismo do ser humano, além disso é necessário um tratamento longo, doloroso, dispendioso e que necessita de grande atenção e cuidado. E quando se de câncer infantil a questão é mais delicada e envolve mais a família. A criança necessita de acompanhamento terapêutico, de muito amor humano e atenção redobrada. Como se não bastasse, esta doença deixa sequelas, dependendo do tipo de câncer, com perdas de membros, diminuição na mobilidade ou até a necessidade de cirurgia plásticas.

 

A contribuição da AACC

Viabilizar o tratamento no sentido mais amplo, oferecendo desde o alojamento, alimentação adequada, suporte educacional, medicamentos, apoio social e psicológico, além de agregar crianças com várias patologias na mesma casa, possibilitou que se desmoronasse muitas barreiras. Uma delas foi o fato de que as mães deixam de ser o centro de atenções e começavam a auxiliar as outras mães, minimizando a dor de cada uma.

Não significa banalizar a dor. Não implica em nivelar os sentimentos, mas incentivar o familiar a perceber que o seu filho ou filha não é o único que detém esta doença. Esta convivência deve colaborar para que a troca de experiência se torne uma constante, ou seja, a tônica da relação entre os acompanhantes das crianças alojadas na AACC. No alojamento são hospedadas crianças de todo o Brasil, logo, as crianças do interior da Bahia dividem o espaço com as de Rondônia e com aquelas do interior de São Paulo, em suma uma troca de hábitos, costumes que enriquece profundamente todos que convivem no mesmo ambiente.

A AACC espontaneamente descobriu a fórmula de como desmoronar e romper com os preconceitos, de contribuir para a compilação da história da cura do câncer pediátrico no Brasil, através da convivência harmoniosa e densa de calor humano e afeto, da discussão da doença e, sobretudo, da percepção de que a cura do câncer não está apenas na ingestão cronometrada dos medicamentos, ou aplicação sistemática de quimioterapia ou ainda na extirpação de algum tumor, mas são juntos, somadas a altas doses de calor humano, compreensão e sentimento coletivo.

 


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